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SAPO Zen

“Há um processo de sofrimento…”

 

“Há um processo de sofrimento que temos de atravessar quando nos libertamos de algo a que estávamos ligados.” Shakti Gawain
 
A perda é realmente um dos sentimentos ou melhor uma das experiências mais difíceis pela qual temos que passar.  É difícil enfrentá-la, e mais difícil ainda será digeri-la. Não há sal de frutos que ajude!!!
 
Na maioria das vezes nem conseguimos vislumbrar que se perdemos alguma coisa existirá sempre a oportunidade de encontrar algo melhor. Fica-se ali preso, a remoer, a procurar culpas e culpados e não deixamos as coisas evoluírem, fluírem. Enterramo-nos na nossa dor ou pseudo-dor e toca a sofrer!
 
A nossa incapacidade quase que geral de lidar com a perda, é consequência directa sobretudo dos nossos apegos. E como diz a filosofia Budista, o Apego é a origem de todo o sofrimento humano. Mas o problema é que nós nos apegamos mesmo. e daí toca a sofrer, a carpir, a esgrimir contra a vida.
 
É claro que há que sofrer pela perda, fazer o luto, mas quanto mais rápido livrarmo-nos disso, mais rapidamente novas oportunidades chegarão até nós.
 
Optimista inveterada que sou, acho que tudo o que vem, vem por bem. O que de pior pode parecer à partida, poderá ser um passo em frente, uma oportunidade de viver ou de reviver.
 
Para mim a única perda completamente irracional, inquestionável, embora seja proveniente da única certeza que temos na vida, é a provocada pela morte. Principalmente daqueles que não esperamos nunca ver morrer como os nossos filhos, os nossos amores, os nossos pais… Aliás nunca estamos preparados para lidar com a perda daqueles que amamos. Aí há que realmente sofrer, sofrer tudo a que se tem direito e mais um pouco, para então conseguir transmutar o sentimento da dor para uma suave saudade, uma ternura jamais esquecida e a alegria de ter desfrutado daquele encontro terreno, porque noutra dimensão lá estaremos todos outra vez (para surpresa de muitos!).
 
Agora, estar aí a sofrer por causa do namorado que foi embora, da mulher que se quis separar, do patrão que o despediu… Nestes casos quanto menos tempo sofrer melhor… já dizia a minha avó que não vale à pena chorar pelo leite derramado!!!
 
A solução é partir para outra, não ficar preso a um passado feliz ou infeliz, a um presente que teimamos em ver mais negro do que é. Ter consciência de que acima de tudo, a felicidade não é o destino mas sim o caminho. Se espera que um dia vai chegar a atingi-la, de que vai chegar lá… bem vai ter a alegre surpresa de que afinal ela aconteceu enquanto você a procurava.
 
Pare e pense sobre quanto tempo vale à pena sofrer pela sua perda. Veja lá se não é melhor perder tempo e focar a sua energia não para a perda mas para o que poderá conquistar à seguir.
 
E de resto…sobre os namorados, amiguinhas aceitem o depoimento de uma senhora já de uma certa idade: o próximo é sempre melhor!!!
 
Heloisa Miranda
sapozen@sapo.pt