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SAPO Zen

“Comece Fazendo…”

“Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível e, de repente estará fazendo o impossível.” – São Francisco de Assis

 
Normalmente queremos fazer e acontecer e ficamos pelo caminho. Teóricos do nada, arquitectos do impossível, fantasistas de um mundo melhor. Mas daí a fazer acontecer é realmente um outro caminho, uma outra história.
 
Às vezes, achamos que o nosso contributo só poderia ser tão pequeno que não vale à pena, que não iria mudar nada… Mas um pouquinho que seja, sempre faz com que alguma coisa possa mudar.
 
É importante começar por fazer o necessário diz São Francisco de Assis. Aqui não sei se concordo. Acho mesmo que devemos começar fazer o possível para nós, mesmo que seja pouco aos nossos olhos.
 
À seguir, vamos ao que é necessário. Necessário para nós e para o outro, Por mais que doa, seja difícil, saia-nos do pêlo, arranhe, incomode ou faça bolhas nos pés, nas mãos e sobretudo na alma. Mas, era necessário e assim foi feito! Não é preciso esperarmos pela aprovação alheia, nem sequer por ser uma coisa grandiosa que nos dê direito ao prémio Nobel. Poderá ser algo em qualquer dos campos da nossa vida pessoal ou do outro, mesmo que à partida nos pareça ser pequeno e irrelevante.
 
Pode ser uma pequena mudança, o ter coragem para virar a mesa, mudar o rumo do barco ou um pequeno gesto, um sorriso uma atenção, o cuidado e a dedicação ao outro. Mesmo que o outro seja tão outro, e que não seja o “nosso” outro mas que saibamos considerar como semelhante.
 
Pois bem, o que parecia tão difícil: o fazer alguma coisa, o fazer a diferença, acaba por tornar-se mais fácil, mais fluido. Começa mesmo a ser uma tendência natural, uma forma de estar na vida e de valer à pena. E assim chegamos ao impossível. Aos impossíveis por nós rotulados e catalogados como casos perdidos. Muitas vezes o impossível é apenas o possível que não teve tempo ou maneira de se materializar.
 
E ainda por cima, nós temos uma enorme atracção pelos impossíveis. Muita gente utiliza o impossível para justificar o seu insucesso mas isso já é outra conversa…
 
Ainda no fazer o possível, o necessário e o impossível, vem-me à mente uma conversa tida recentemente com um amigo. Contou-me ele que numa noite destas, ao andar pela rua viu um homem caído no chão, inconsciente, quase em cima de uma poça d´água. Não sabia se estaria bêbado ou se teria tido algum mal súbito. Ficou incomodado e preocupado por estar aquele ser humano ali – tão à mercê do nada que somos. Naqueles poucos minutos, enquanto pensava se deveria ou não chamar uma ambulância , viu que do outro lado vinha uma pessoa em direcção ao homem. Quem sabe alguém com quem dividir a sua indecisão. Pois bem, quem vinha, assim como vinha se foi, sem nem ao menos dedicar um segundo ao ser que ali estava. ~
 
Meu amigo ainda continuava a pensar se deveria chamar socorro, polícia, ambulância qualquer coisa assim. Mas, confessou-me ele que depois pensou que poderia ter problemas, as tais chatices. A hora era tardia, a burocracia do porque e como levou-o a tomar o seu carro e ir embora. Mas dias depois o assunto ainda estava à volta da sua cabeça.
 
Quando me contou não te disse nada. Mas deverias mesmo ter ligado. Fosse o que fosse, não seria tão grave para ti. Mas acho que temos aqui um belo exemplo que se encaixa no pensamento que escolhi para comentar hoje.
 
Não fizeste o necessário que seria pedir o socorro. E, falar sobre o impossível seria agora irrelevante. Mas, fizeste o teu possível que foi dar atenção àquele ser humano que ali estava. Não passaste por cima do corpo caído sem nem ao menos pensar que era corpo e que estava caído.
 
E mais ainda, trouxeste-me o possível, na medida em que pude ver que ainda existem pessoas que mesmo sem fazer o necessário podem dar alguma coisa de si ao outro. Mesmo que o outro estivesse inconsciente, mesmo que como descobriste mais tarde, fosse mesmo uma grande bebedeira. Mesmo que ele quando se levantasse daquela, fosse cair noutra e acabar novamente com a cara metida numa poça.
 
O possível para mim neste caso, é acreditar que ainda existem pessoas que mesmo de madrugada, mesmo com pressa de chegar à casa, mesmo com mil coisas na cabeça, ainda se preocupem com gente, e, saibam ser gente. Pessoas que dias depois ainda pensam no ocorrido, mesmo com tanto em que pensar, e que no fundo se incomodam por não ter chegado ao necessário. Mas vão no bom caminho!
 
Ao impossível lá chegaremos!!! Ao acreditarmos e constatarmos que por uma mudança de mentes e de sentimentos, maior número de pessoas seria o  daquelas que parariam também para ajudar ao homem que quem sabe estaria apenas bêbado pela indiferença de todos.
 
Heloisa Miranda
sapozen@sapo.pt
 
 
 

Os Pensamentos:

 

 

Os pensamentos aqui reproduzidos fazem parrte do livro da minha autoria " Só quero que ames a vida" da Editora Verso da Kapa

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Heloisa Miranda

sapozen@sapo.pt

 

 

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