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SAPO Zen

“Nós temos que nos entregar…”

 

 

“Nós temos que nos entregar ao crescimento à medida que ele surge, e deixar que ele nos conduza.” Khalil Gibran

 
Pego hoje neste pensamento do poeta libanês Khalil Gibran  para servir de mote para aqueles que querem tudo muito rapidamente, instantaneamente… até mesmo na Espiritualidade.
 
Estamos no tempo do imediatismo. É tudo para agora, ou melhor, para ontem se possível. O imediato é o que conta, o que interessa. Comunicação imediata, informação imediata, relações imediatas, vida imediata. Torna-se quase que um vício.
 
Talvez seja por isso que muitas vezes, nos últimos tempos, tenho encontrado pessoas que motivadas é certo pelas melhores intenções, andam desesperadamente à procura de um caminho para a sua espiritualidade. E nessa busca também querem o imediato. Assim vão à todas, como se diz em Portugal. É vê-los atirarem-se ao Reiki, a Astrologia, a Meditação A ou a Meditação B, aos ensinamentos do Guru tal, e eles acabam todos tal qual.
 
Ninguém mais do que acredita que somos pura energia, que o Universo é energia e que temos que estar conectados.  Mas tenham calma, tudo vem ao seu tempo, e como diz o poeta, só temos que nos entregar a ele à medida que ele surge. Temos que estar preparados e quando chegar a hora as coisas avançam e o próprio crescimento é que nos irá conduzir.
 
Não será de imediato que encontraremos o nosso caminho, e também não é preciso estar preso a um só caminho. O que é preciso é caminhar, e que o caminho seja na via ascendente. Só é preciso querer caminhar, e efectivamente, fazê-lo. No entanto cada um tem o seu tempo, cada um assimilará tudo dentro da sua própria capacidade. Às vezes é preciso perdermo-nos para encontrarmo-nos, enquanto vemos outras pessoas que parecem que já vêm com GPS incluído à nascença.
 
A sensação que eu tenho é que tem muita gente que anda tão sôfrega à procura do seu crescimento que nem percebe quando ele chega, ou que até nem o deixa chegar, tal a dispersão sem assimilação.
 
Certa vez, numa aula de Meditação na Índia, estava a ouvir o relato do resto do grupo que à pedido do Lama Khetsung Gyaltzen, sobre com tinha sido a experiência de cada um durante a Meditação. Uns voaram, outros sobrevoaram, viram coisas incríveis. Depois de tantos relatos de experiências tão fantásticas, alguns deslumbradíssimos consigo próprios, com visões que pareciam saídas de um filme do Spielberg ouvi a resposta do Lama:
 
- Não me interessa o que viram. Só me interessa o que sentiram e como se estão a sentir agora.
 
Pois… é tão simples como isso. A busca de relatos fantásticos, experiências transcendentais podem ser muito menos importantes do que o que sentimos e como o sentimos. O verdadeiro crescimento é tão simples! Não é fácil …mas  é simples.
 
Não esperem que crescimento traga-lhes mais poderes, mais certezas, mais afirmações. Muito pelo contrário. Não esperem experiências extremas, mágicas, transcendentes. Mas com certeza perceberão que a magia existe, a transcendência não só é possível como obrigatória, e que a experiência mais readical será a de tornarem-se melhores pessoas. Mas tudo isso vem a seu tempo no “seu” próprio tempo.
 
Não é porque foi a uma Meditação e esperava conseguir sobrevoar a Austrália sem sair do lugar e isso não aconteceu que as coisas não funcionam. Também não é assim que terão que funcionar. Antes de querer voar, tente afundar. Submergir em si próprio, pois tudo vem de dentro para fora , mas isso já é tema para outra conversa. E quanto aos voos uso mais uma vez o que aprendi com o Lama ainda referente aos relatos daquelas experiências nas Meditações na índia:
 
- Tenham cuidado porque a mente mente!
 
 
 
Heloisa Miranda
sapozen@sapo.pt
 
 

Os Pensamentos:

 

Os pensamentos aqui reproduzidos fazem parrte do livro da minha autoria " Só quero que ames a vida" da Editora Verso da Kapa

www.versodakapa.pt

 

 info@versodakapa.pt

 

 

 

 

 

Heloisa Miranda

sapozen@sapo.pt

 

 

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A convidada do programa de hoje é a taróloga Vera Xavier

 

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