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SAPO Zen

“A tragédia do homem…”

“A tragédia do homem é o que morre dentro dele enquanto ele ainda está vivo.”  Albert Schweitzer

 
Quanta coisa de nós deixamos pelo caminho… Quanta coisa deixamos morrer pura e simplesmente porque deixamos.
 
Distracção, desvio do caminho, esquecimento, os tombos que levamos, desilusões, sentimentos, ressentimentos, amores, desamores ou pura e simplesmente inércia. E assim vamos muitas vezes perdendo o que há de melhor e mais bonito em nós.
 
Muitas vezes, nem parte de nós a ordem de extermínio, de fuzilamento. Submetemo-nos ao que esperam de nós, ao que a sociedade impõe como padrões vigentes. Nem estamos a falar de questões morais, mas de questões bem simples. Puras convenções, parvas convenções, parcas capacidades de permitir que cada um seja como é, e como tem capacidade para ser.
 
Assim, homem não chora, adulto não ri à toa, a espontaneidade deixa-nos em maus lençóis, o sentimentalismo e a emoção deixam-nos fragilizados perante o outro… Verdades que nos são incutidas e que vamos assimilando, e face a elas, vamos matando a nossa espontaneidade, a nossa capacidade de ser e de sentir. Vamos nos trancando aos poucos, vamos matando o que há de mais puro em nós para não parecermos ser fracos, imaturos ou inconsequentes. Para não sermos quem não querem que sejamos.
 
O que matamos à partida é a criança que existe em nós. Temos que ser mais ou menos sérios, menos lúdicos, mais armados e preconcebidos, menos inocentes. Assim é suposto. Já pensou quantas boas gargalhadas deixou de dar?
 
Nós mulheres é suposto que sejamos “sérias”. Mulher séria não beija no primeiro encontro! Já pensou quantos beijos “à serio” já deixou de dar?
 
Homem não pode dizer logo que ama uma mulher, tem que esconder o jogo, para ficar por cima da situação. Já pensou que um amo-te pode ficar engasgado e matar o próprio amor?
 
Homem não chora. Já pensou nos ataques cardíacos que isso provoca? Já pensou como pode ser lindo um homem chorar?
 
Não se ouve aquela música porque é pirosa. E daí? E se o seu sentimento também for piroso?
 
E quando descobrimos que matamos a esperança, a fé e a verdade que existe em nós? O que terá restado? Um cadáver adiado? Talvez…
 
Eu, às vezes, acho que também vou matando muito de mim. Mas quando me apercebo, faço um tratamento de choque, coloco o que está moribundo em mim na Unidade de Tratamento Intensivo da alma, aplico-lhe uma respiração boca à boca e não deixo que se perca. Recuso-me a deixar morrer o que há de bom em mim. E mais ainda recuso-me a permitir que matem , até já estive um bocado distraída e quase … Mas ainda fui à tempo.
 
Continuo a rir à toa, a gostar de desenhos animados, a brincar, a usar meias com bonecos, a acreditar nas pessoas, a gostar de gente, a rir de mim mesma e pasmem:  hoje numa grande loja apanhei-me a olhar um Pai Natal que lá andava a distribuir brindes para as crianças e a pensar que ainda não o tinha visto este ano. Apanhei-me mesmo a sorrir para ele com o mesmo encantamento das crianças que lá estavam. Por incrível que pareça não me senti maluca. Senti-me mais viva do que nunca e que ainda há muita esperança em mim, e que tudo vale à pena, pois afinal o Pai Natal pode mesmo existir. Nem que seja por poucos segundos.
 
 
Heloisa Miranda
sapozen@sapo.pt
 
 

Os Pensamentos:

 

 

Os pensamentos aqui reproduzidos fazem parte do livro da minha autoria " Só Quero que Ames a Vida" da Editora Verso da Kapa

www.versodakapa.pt

 

 info@versodakapa.pt

 

 

 

 

 

Heloisa Miranda

sapozen@sapo.pt

 

 

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